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  • Foto do escritorRev. Luiz Henrique

A família e o mandato cultural

Nossa família tem estado vulnerável às muitas ideologias e ataques dos agentes das trevas com seus ensinos e distorções. Vivemos em uma sociedade cada vez mais amante de si mesma e interessada em destruir a família. Eles atacam nossa doutrina, nossa ética, nossas práticas cristãs e tudo mais. Pensando neste perigo que vivemos, como podemos proteger nossas famílias? Como lutar contra um mundo cada vez perverso e mau?

O melhor lugar para se obter respostas é na Palavra do Senhor. A melhor ferramenta é uma mente e conduta bem fundamentada nos preceitos do Senhor. É por esta razão que quero voltar nossos pensamentos para o fundamento pelo qual Deus formou e estabeleceu a família. Quero buscar respostas nos mantados criacionais que Deus entregou ao homem e toda a sua posterioridade.

Meu objetivo com este estudo é nos mostrar, à luz das Escrituras, que temos um comportamento, um padrão relacional e um propósito a seguir que não se assemelha com este mundo perdido.

Lemos em Gênesis 1.26-28 e 2.15 os seguintes textos:

26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. 27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. 28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. 15 Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.

Fica muito claro, com base nesta e outras passagens das Escrituras, que o homem foi criado conforme a imagem e semelhança de seu Criador. PAULO ANGLADA (2013, pág. 51) vai dizer que “uma das verdades bíblicas mais sublimes a respeito do homem consiste em ter sido ele criado imago Dei, isto é, à imagem e semelhança de Deus”. Veja bem, entre todas as criaturas, somente o ser humano foi criado conforme a imagem e semelhança de Deus.

Isto implica dizer que nós, seres humanos, fomos criados conforme o padrão, vontades, virtudes e moralidade daquele que nos criou. Para tomar emprestado as palavras do apóstolo Paulo aos Efésios, temos um “...modo digno da vocação a que fomos chamados” (Ef 4.1); e este ‘modo digno’ diz respeito a imagem e semelhança pelo qual fomos criados e regenerados no poder do Espírito Santo. Portanto, quando pensamos em uma maneira de proteger nossa família contra as ciladas e artimanhas do diabo e, contra até mesmo os nossos maus desejos por causa da Queda, logo nos lembramos que o padrão ou modo pelo qual fomos criados não está em acordo com o meio em que vivemos.

Aos romanos o apóstolo Paulo diz: “E não vos conformeis com este século...” – Rm 12:2a; ou seja, conforme a NVT traduz: “Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo...”. O mandato cultural nos ensina que temos um comportamento a seguir que não se assemelha com este mundo perdido. Nós, o povo da Aliança, que devemos ser o sal da terra e luz do mundo; nós que precisamos influenciar; o mundo precisa ser moldado conforme o nosso modo de pensar e agir, afinal de contas, esse foi o padrão que recebemos e que existia antes de tudo. O Rev. HEBER C. JUNIOR (2019, pág. 237), vai dizer que “uma vida vivida a partir de uma cosmovisão bíblica testemunha sobre o Criador e sobre como as coisas deveriam ser” .

O texto de Gênesis nos lembra do dever que fomos chamados a exercer neste mundo. Deus diz ao homem que ele deveria (1) ter domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra – 1.26. Ele também deveria ser capaz de (2) se relacionar com o seu semelhante, ao começar – e principalmente – por sua família – 1.27. Por meio deste relacionamento, ele também deveria (3) multiplicar-se e encher a terra, com isso, teria condições, uma vez feitos fecundos, (4) sujeitar e dominar a terra e as demais obras da criação do SENHOR, além de dar continuidade a humanidade – 1.28.

Este mandato não implica única e necessariamente no que diz respeito a ‘vida religiosa’ ou, por assim dizer, dentro dos limites do Éden, mas por toda a terra. O Dr. HEBER C. JUNIOR (2019, pág. 215) diz que “O mandato cultural nos ensina que nós cristãos não podemos restringir nossa fé à esfera da religião, mas devemos buscar os propósitos de Deus em toda esfera da vida, seja pública ou privada” .

“Desenvolver cultura”! Este deveria ser o lema do homem. Perceba que não é “criar” cultura, mas desenvolver; isto significa que estes deveriam ser capazes de fazer progredir a glória de Deus por meio das habilidades que receberam. Hoje em dia, infelizmente, a ordem vem se invertendo. Cada vez mais vemos um mundo transformando e deformando o modo pelo qual Deus criou todas as coisas. Infelizmente, hoje identificamos as coisas como “secular e sagradas”. Antes, se pensarmos no ‘padrão’ primeiro estabelecido, tudo era secular e sagrado. Não havia distinção nas atividades exercidas pelo homem.

Trabalho era feito para a glória de Deus. A vida em sociedade era para ser desenvolvida para a glória de Deus. Os animais eram para ser dominados para a glória de Deus. A família foi constituída para refletir a glória de Deus. Tudo que fosse feito, que comessem ou bebessem, deveria refletir e projetar a glória de Deus na vida e no mundo.

Mas, o que vemos hoje é totalmente o contrário. Até mesmo entre nós que conhecemos e vivemos para Àquele que nos redimiu e regenerou para a nossa salvação e glória de Deus. Vivemos buscando os nossos próprios interesses e vontades. Conduzimos nossos filhos para cursos em universidades visando apenas a promoção pessoal e os ganhos financeiros. Escolhemos onde vamos morar não porque é perto da igreja ou de alguma forma aquela localização possibilitará o início de uma nova comunidade cristã, mas escolhemos, em grande parte, por se encaixar melhor na sociedade.


Conclusão


Como proteger nossa família de uma cultura corrompida pelo ódio, vaidade, ganância, idolatria e tantos mais, se não pensamos e vivemos de acordo ao padrão pelo qual fomos criados? Como proteger nossos filhos das muitas ideologias que são inventadas em nosso tempo, se não somos capazes de ensinar nossos filhos a dominar e sujeitar a terra e constituir família? Encontramos as respostas no mandato cultural. Vejamos:


  • O Mandato Cultural nos lembra que há um modo de viver que agrada ao nosso Deus e faz bem para a sua criação.


Este mandato – conforme diz ANGLADA (2013, pág. 86-87) – “implica desenvolver as potencialidades da criação para o benefício da humanidade e para a glória de Deus. Ele inclui o trabalho, a agricultura, a indústria, o comércio, a ciência, a cultura, as artes, a música etc.”. Ou seja, tudo em que nos envolvemos ou desenvolvemos deve estar de acordo com o padrão que recebemos de Deus; e as Escrituras é o livro de receitas que nos ensinam como devemos cumprir e praticar tais ações. É importante lembrar que o Espírito Santo de Deus nos foi enviado e nos é dado para auxiliar neste desafio, pois não sabemos como realizá-los corretamente, mesmo diante das instruções escritas nas Escrituras. Precisamos viver de modo digno da vocação a que fomos chamados.


  • Este mandato também nos lembra que só existem dois gêneros criados por Deus: masculino e feminino / homem e mulher / macho e fêmea.

Não é preciso que eu lhe diga que Deus fez as outras criaturas (animais em geral) como macho e fêmea também. Em Gênesis 1 isso fica subentendido. Não é assim em relação aos humanos! A nossa diferenciação sexual é mencionada porque é significativa. E ela leva à ordem de Deus de que os seres humanos devem ser frutíferos, multiplicarem-se e produzirem mais portadores da imagem para estender o domínio de Deus por toda a criação (Gênesis 1.28).


  • Este mandato também nos lembra que, além de fazer a glória de Deus se espalhar pelo resto do mundo, ele também deve ser preservado/cultivado conforme foi criado.


Adão como nosso representante federal deveria ser capaz de não apenas manter o jardim de Deus conforme foi criado, mas também o proteger das possíveis ameaças. É assim que devemos proteger nossas famílias: Devemos viver do modo que agrada a Deus e que faz bem a nós. Devemos ser zelosos e cumpridores de nossos papeis na família, na sociedade e diante das ameaças que se lançam contra tudo o que Deus criou e projetou para a sua própria glória e, não podemos nos esquecer desta parte, para o bem-estar de sua criação.

Portanto, sirvamos ao Senhor com toda a nossa família. Protejamos a nossa família guardando estes preceitos de maneira sem igual. Forme em seu lar um ambiente que reflita a glória de Deus em tudo. Amém!


 

Bibliografia


  • JUNIOR, Heber Campos. Amando a Deus no mundo: Por uma cosmovisão reformada (São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2019), Edição do Kindle.

  • ANGLADA, Paulo Roberto Batista. Imago Dei: Antropologia Reformada. Ananindeua: Knox Publicações, 2013.

  • VAN GRONINGEN, Harriet e Gerard. A família da aliança. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2019, 3ª ed.

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