top of page
  • Foto do escritorRev. Luiz Henrique

A família e o Mandato Social

21 Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. 22 E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. 23 E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada. 24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne - Gênesis 2.21-24.

Nossa família tem estado vulnerável às muitas ideologias e ataques dos agentes das trevas com seus ensinos e distorções. Vivemos em uma sociedade cada vez mais amante de si mesma e interessada em destruir a família. Eles atacam nossa doutrina, nossa ética, nossas práticas cristãs e tudo mais. Pensando neste perigo que vivemos, como podemos proteger nossas famílias? Como lutar contra um mundo cada vez perverso e mau?

O melhor lugar para se obter respostas é na Palavra do Senhor. A melhor ferramenta é uma mente e conduta bem fundamentada nos preceitos do Senhor. É por esta razão que quero voltar nossos pensamentos para o fundamento pelo qual Deus formou e estabeleceu a família. Quero buscar respostas nos mantados criacionais que Deus entregou ao homem e toda a sua posterioridade.

Já falamos sobre o Mandato Cultural e vimos que, assim como Adão deveria ser capaz de não apenas manter o jardim de Deus conforme foi criado, mas também o proteger das possíveis ameaças, também é assim que devemos proteger nossas famílias. Devemos viver do modo que agrada a Deus e que faz bem a nós. Devemos ser zelosos e cumpridores de nossos papeis na família, na sociedade e diante das ameaças que se lançam contra tudo o que Deus criou e projetou para a sua própria glória e que – não podemos nos esquecer desta parte – para o bem-estar de sua criação.


Meu objetivo com este estudo é nos mostrar, à luz das Escrituras, que temos um comportamento, um padrão relacional e um propósito a seguir que não se assemelha com este mundo perdido. Vejamos:

O segundo mandato a ser considerado é chamado de Mandato Social. Este mandato “fala das relações sociais” e está fundamentado em Gênesis 2.21-24. Nesta passagem, temos a estrutura familiar estabelecida. A família é ordenada em termos de um desapegar-se e unir-se a outrem. Embora, já tenhamos considerado que um dos aspectos do mandato cultural é a criação familiar, e isto se torna evidente por causa da ordem divina de haver uma “fecundação e multiplicação” em Gênesis 1.26-28; todavia, esta ordem da formulação familiar está pertinentemente estabelecida aqui neste trecho de Gênesis 2.21-24.

A criação da mulher tem como objetivo evitar a solidão de Adão: “...Não é bom que o homem esteja só...” – 2.18. O princípio extraído aqui é que o homem não é uma ilha: isolado, sozinho e sem relação com o seu semelhante. O companheirismo é algo que Deus prima em sua criação – o casamento não deve ser uma prisão para os solteiros, mas a liberdade da amizade e cumplicidade matrimonial. Aqui também aprendemos que a organização familiar exige uma relação heterossexual. Adão se une a sua mulher, e não a outro homem, nem mesmo uma mulher se une a outra. Mas o que está escrito é que “macho e fêmea” formam uma unidade neste mandato.

É interessante que este mandato social comece apresentando a “família” como ponto de partida para relacionamentos saudáveis e prósperos. Antes, só havia os animais e a natureza pelo qual o homem tinha algum tipo de contato. Mas, para que ele não ficasse como muitos fazem hoje: conversando e tratando os animais de estimação como se fossem seus filhos, ou mesmo aqueles que tratam suas plantas com mais zelo do que a própria saúde, Deus disse: “...Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” – 2:18.

É a partir de um casamento entre homem e mulher que a sociedade seria formada e a cultura desenvolvida. Este mandato não começa com relações externas; mas pelo elo conjugal que também conhecemos por casamento. ANGLADA (2013, pág. 87) vai dizer que “o casamento também foi concebido como bênção de Deus para o ser humano”. Ele tem como propósito desenvolver as potencialidades da criação com vistas à promoção do reino e da glória de Deus.

Outra observação importante que precisa ser dita é que Deus fez ao homem uma “...auxiliadora que lhe fosse idônea”. Usando uma versão mais moderna, diz: “...farei para ele uma auxiliadora que seja semelhante a ele” [NAA]. É muito importante que se entenda o que Deus estava fazendo aqui. Deus estava colocando alguém na vida de Adão “...que lhe fosse idônea” ou “semelhante”. E como Adão foi criado? No pecado ou em santidade? Adão foi criado impuro ou puro? Foi criado a imagem e semelhança de Deus, sim ou não? Ele era fruto da luz ou das travas? O que Deus está ensinando aqui? Ele deu a Adão uma filha da luz ou das trevas? Uma mulher também criada a imagem e semelhança de Deus? Ela foi criada pura ou impura? O que Deus está ensinando aqui?

Deus está ensinando à sua criação (homem e mulher), que existe um relacionamento santo que deve ser preservado. Luz com luz. Santidade de um com a santidade do outro. Um completando o outro no objetivo de corresponder a imagem e semelhança de Deus no relacionamento. Deus está ensinando que seu povo deve respeitar essa aliança do casamento desde o início, que conhecemos como “namoro”, ao escolher alguém que lhe corresponda. Desde o início devemos buscar um relacionamento que corresponda ao padrão criado por Deus.

Você não sabe o prejuízo que é viver ao lado de alguém que não lhe corresponda; alguém que não vive da mesma forma pelo qual você foi chamado para viver. É por causa disso que Paulo vai dizer:

14 Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? 15 Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? 16 Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 17 Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, 18 serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso – 2Coríntios 6:14-18.

A falha na execução do mandato social traz prejuízos para as famílias. Vivemos em uma sociedade cada vez mais egoísta e isolada. Amizades de internet e que só funcionam lá, por meio de ‘aparências’. Lá somos felizes e tolerantes. Lá vemos de tudo e encontramos tudo de que precisamos. Estamos tão plenos com esse tipo de “socialização” que nos esquecemos da verdadeira ‘rede social’ que o SENHOR serviu à sua criação. Deus nos criou seres capazes de se relacionar com nossos semelhantes; e fez isso de maneira que pudesse nos corresponder.

Infelizmente estamos trazendo essa falsa socialização para dentro das relações conjugais e até para a criação de filhos. Não há diálogos entre os casais. Não há respeito entre pais e filhos. Em alguns contextos não se sabe quem é o pai e quem são os filhos. Não há qualquer tipo de responsabilidade porque estão cada vez mais culpando os outros. Se a criança é desrespeitosa é porque o professor não sabe lidar com a criança. Hoje, você ouvir uma criança falando “com licença” ou “obrigado”, é motivo de filmar e postar nas redes sociais.

Aplicação

Como proteger a nossa família desta inversão ou da omissão de papeis? Encontramos a resposta no mandato social. Vejamos:

1. Este mandato social nos lembra que precisamos ter relações interpessoais.

O homem deveria ser capaz não só de desenvolver cultura (mandato cultural), mas também de promover uma sociedade (mandato social). Essa sociedade seria formada a partir da relação conjugal entre homem e mulher; cada qual cumprindo seus papeis e responsabilidades.

A primeira expressão da parte do homem ao ver a mulher criada por Deus é: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada” – Gn 2:23. Depois de ver tudo quanto fizera, a expressão de Deus foi: “...e eis que era muito bom...” – Gn 1:31.

2. O mandato social também nos lembra da formação da família.

Ela é composta por ‘marido, esposa e filhos’. Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne – Gn 2:24. A família não é formada pelos pais do marido e da esposa e os filhos/netos. Esse é um erro que tem produzido inúmeros problemas em vários lares, inclusive cristãos.

Os avós querem ser os pais dos netos. Os sogros querem continuar sendo o cabeça da filha/esposa. A filha não quer crescer/amadurecer e progredir para ser ‘esposa’. O filho não quer largar a mordomia dos pais e acaba virando um marido/filho. VAN GRONINGEN (2019, pág. 119) diz que “Deus instituiu a família com o marido, a esposa, e os filhos como seus representantes básicos no contexto social”.

3. Este mandato nos lembra que a ‘criação’ de filhos também é uma parte importante na família.

Não diz respeito apenas em ‘procriação’ de filhos, mas de criação, que envolve prover o alimento, sustento, educação, socialização por meio de outros relacionamentos que também glorifiquem a Deus e darão continuidade ao progresso do reino.

Não adiantará nada desenvolver uma cultura e constituir uma sociedade se a glória de Deus não estiver envolvida ou não ser o motivo de tudo isso. Lembre-se do que lemos no texto sagrado: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” – Gn 1:31. Portanto, quando o mandato social é realizado em obediência ao padrão estabelecido por Deus, a família é protegida, os relacionamentos são preservados e abençoados e Deus é glorificado.

Conclusão


Portanto, sirvamos ao Senhor com toda a nossa família. Protejamos a nossa família guardando estes preceitos de maneira sem igual. Forme em seu lar um ambiente que reflita a glória de Deus em tudo. Amém!


 

Bibliografia

  • JUNIOR, Heber Campos. Amando a Deus no mundo: Por uma cosmovisão reformada (São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2019), Edição do Kindle.

  • ANGLADA, Paulo Roberto Batista. Imago Dei: Antropologia Reformada. Ananindeua: Knox Publicações, 2013.

  • VAN GRONINGEN, Harriet e Gerard. A família da aliança. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2019, 3ª ed.

Comments


bottom of page