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  • Foto do escritorRev. Luiz Henrique

Fé Reformada | O que é uma igreja reformada? | Parte II

Atualizado: 9 de mai. de 2023

A soberania de Deus

Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! - Romanos 11.36.

Em nosso último encontro estudamos sobre “As Escrituras” como a regra de fé e prática das igrejas reformadas. Ela tem seus alicerces firmados na Palavra de Deus, sendo submissa a sua absoluta autoridade. Vimos que uma igreja reformada tem consciência de que só se pode conhecer a Deus e sua vontade por meio das Escrituras, porque “...Pois o que se pode conhecer sobre Deus é manifesto <...> porque Deus lhes manifestou” (Rm 1.19 ). Concluímos que uma igreja reformada também submete todas as áreas do seu conhecimento as Escrituras Sagradas, e questões mais difíceis também são respondidas a luz delas. Tudo o que precisamos para salvação, disciplina e nosso testemunho no mundo, é regido pela Palavra de Deus.

Agora, dando continuidade sobre o assunto, estudaremos outra característica essencial de uma igreja reformada -  a sua convicção de que Deus é soberano em tudo o que faz. O ponto de nosso estudo é, portanto, “A soberania de Deus”.

O Rev. Hermisten Maia, falando sobre como o homem enxerga a soberania de Deus, diz que “uma das grandes dificuldades dos homens em todos os tempos é deixar Deus ser Deus <...> Aliás, os homens estão dispostos a reconhecer espontaneamente diversas virtudes em Deus, como amor, graça, perdão, provisão etc. Soberania, jamais”!<1>

A verdade é que homem sempre quis ter o controle de todas as coisas, inclusive de si mesmo, e – ao mesmo tempo – conhecer todas em sua essência. Isso é uma busca que vem tomando lugar na mente do ser humano desde a Queda; portanto, essa ganância pelo supremo saber e fazer é uma mancha que o pecado produziu no homem.

O primeiro fato essencial da vida, como claramente estabelecido nas Escrituras, é a existência de Deus e a sua supremacia em todas as coisas. Isso é tão importante que, quando o homem é criado e inserido no mundo, Deus já se manifestou em glória e poder por meio de sua criação do mundo e seus agregados (Sl 19.1). Portanto, Deus já era Deus quando o homem nem mesmo existia; e, mesmo depois de existir, Deus continuou sendo Deus, e continuará até além da eternidade!

Deus não é soberano somente pela virtude de ter criado todas as coisas, mas por continuar governando a sua criação de forma ativa. Portanto, as igrejas reformadas, além de estarem alicerçadas nas Escrituras Sagradas, adoram e servem a um Deus que é soberano em si mesmo e que – em sua soberania – cria, governa e sustenta o mundo e tudo o que nele há com seu eterno poder e autoridade.

As Escrituras enfatizam de modo marcante a soberania de Deus. Deus é apresentado como aquele que faz a sua vontade, e essa é a causa última de todas as coisas que há no mundo, assim como preserva e governa tudo o que criou. Tudo existe por causa da sua vontade, e tudo vem a existir pelo seu poder. Tudo vem dele e depende dele.

O apóstolo Paulo escrevendo aos colossenses, descreve Jesus Cristo de maneira gloriosa, cheio de graça e poder, onde todas as coisas estão sustentadas nele e tudo subsiste. Ele diz:

15 Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, 16 pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. 17 Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste. 18 Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia. 19 Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude, 20 e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão no céu, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz (Cl 1.15-20 ).

Desta forma, Paulo diz à igreja de Colossos que Jesus Cristo é a expressão exata de Deus, sendo ele o Senhor soberano sobre toda a criação – igreja e mundo. Portanto, as igrejas reformadas servem a Cristo como sendo o Soberano sobre toda a criação, tendo autoridade e domínio sobre tudo, conforme declarou a seus discípulos após a sua ressurreição: “...Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28.18b ).

Quais as atuações especificas relacionadas a soberania de Deus que as igrejas reformadas sustentam sua fé e prática? Vejamos:


i. A providência


Deus não somente é soberano pela virtude de ter criado todas as coisas, mas por continuar governando a sua criação de forma ativa – isso é chamado de providência. Deus é aquele que determina e providencia os meios para que a sua plena vontade seja uma realidade; porém, isso não tira a responsabilidade do homem, pois tanto a soberania quanto a responsabilidade humana andam lada a lado(Gn 50.19-20; Jo 6.37).

A Confissão de fé de Westminster, em seu artigo V, diz:

SEÇÃO I. Pela sua muito sábia providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável conselho da sua própria vontade, Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória da sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, e dirige, dispõe e governa todas as suas criaturas, todas as ações e todas as coisas, desde a maior até a menor <2>.

ii. A salvação


O aspecto dos propósitos soberanos de Deus que provoca muita discussão é o ensinamento de que Deus escolheu aqueles que receberão a salvação. A melhor declaração nesse sentido vem de um profeta que quis interferir na vontade soberana de Deus, mas ao final, a reconheceu: “...Ao Senhor pertence a salvação” (Jn 2.9). Se fomos salvos é porque Deus veio em nossa procura, não porque nós o procuramos. O anjo disse sobre essa verdade a José, quando falou do nascimento de Jesus: “Ela dará a luz um filhos e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Essa mesma verdade foi confirmada por Jesus: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10). Portanto, a salvação é uma prerrogativa da vontade soberana de Deus.


Conclusão


As igrejas reformadas dão maior ênfase a soberana vontade de Deus do que qualquer outro meio de se compreender os acontecimentos do mundo e a história da igreja. Os reformadores compreenderam que a vontade de Deus nunca pode ser separada dele e que Ele não existe sem a sua vontade pelo fato de ser um ser pessoal inteligente e sábio.

Esse mesmo Deus soberano criou, sustenta e “...faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11). Ele é capaz não apenas de trazer a existência todas as coisas, mas também providência para que tudo acontece segundo a sua plena vontade, para o louvor de sua glória e edificação de sua igreja.


Aplicação


Com isso, aprendemos que:

  1. Nada no mundo acontece por acaso. Tudo está no mais absoluto controle de Deus.

  2. Embora “...todas as coisas cooperem para o bem daqueles que amam a Deus...”, elas não acontecem visando a nós única e exclusivamente. Mas, conforme escreveu o apóstolo Paulo aos romanos: “...são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28b). Ou seja, tudo tem um início e fim em Deus.

  3. Precisamos sempre manter o espírito de gratidão e louvor a aquele que nos salvou “...segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.5b). Nós, que antes estávamos “...mortos em nossos delitos e pecados” (Ef 2.1), agora fomos reconciliados “...para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis” (Cl 1.22).

 

<1> Maia, Fundamentos da teologia reformada, pág. 80

<2> de Westminster, Assembleia. Confissão de Fé de Westminster . Edição do Kindle.

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