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  • Foto do escritorRev. Luiz Henrique

O ensino sobre fazer julgamentos

1 Não julgueis, para que não sejais julgados. 2 Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também - Mateus 7:1-2 (ARA).

Esse texto, assim como outros do Sermão no Monte, são rotineiramente maus interpretados. Muitos olham para essa passagem e fazem conclusões precipitadas e causam danos maiores aos injustiçados ou que precisam serem aplicadas a correta justiça.


Geralmente, os que interpretam mau essa passagem, são os que estão sendo ‘julgados’ e ou ‘avaliados’ em questões de falta de ética, disciplina ou prudência na vida cristã. Estes, temendo serem encontrados culpáveis pelo que estão sendo julgados, logo ‘tiram da manga’ esta passagem das Escrituras, dizendo: “Vocês não podem, nem tem o direito de me julgarem, conforme Jesus ensinou”. Esta, é claro, é uma falácia totalmente desprovida do ensino bíblico e totalmente recheada de hipocrisia, engano e malícia.


É por essa razão, para evitar esse tipo de conclusão precipitada e equivocada, que precisamos olhar o que realmente Jesus está ensinando, à luz do todo o contexto do texto e de outras passagens das Escrituras. Vejamos:


O julgamento em si, não está sendo reprimido no ensino de Jesus. Deus, ao longo da história do povo de Israel, levantou homens para que julgassem as causas do povo, tais como: Moisés, profetas, juízes e reis (Êx 20.19). O julgamento é benéfico e faz parte da graça e misericórdia de Deus, pois dá ao acusado, uma oportunidade de defesa e provar sua inocência (Gn 3.11-13; 4.9). O julgamento é parte da obra redentora de Jesus que, no fim de sua obra, dará as sentenças devidas (Mc 16.16; Jo 3.18-19).


O julgamento é incentivado e deve ser aplicado de igual forma. Jesus ensina que existe um critério que deve regulamentar os julgamentos. Esses critérios servem tanto para o julgado quanto o julgador. O ponto é que não há ninguém isento de ser julgado ou sem acusação (Ap 12.10; 1Jo 2.1).


Não julgar, no ensino de Jesus, implica em fazer condenação prévia. A palavra ‘julgar’ no texto, vem do grego κρινω krino que significa “pronunciar uma opinião relativa ao certo e errado”. Ou seja, não se trata do julgamento (processo) em si, mas da sentença. Jesus está reprimindo uma sentença prévia, sem ter passado por um processo de avaliação das provas, ouvir testemunhas e dado conselhos e advertências. Jesus ensina que, aquele que se coloca no lugar do juiz para condenar, sem dar oportunidade de avaliar os fatos, também será julgado nos mesmos critérios.


Conclusão

SPROUL comenta dizendo que “Jesus está se manifestando contra o julgamento cruel de pessoas. Ele não está pedindo que seu povo seja ingênuo; ele está pedindo que se faça um julgamento de caridade. Como cristãos, devemos ser aqueles que se apressam em mostrar misericórdia e que demoram a condenar”[1]. No mesmo pensamento, JOHN STOTT diz que “O mandamento para não julgarmos não é um requisito para que sejamos cegos para o mal ou o erro. O que Jesus se nega a tolerar aqui não é o julgamento, mas o “julgamentalismo” – ou seja, ser crítico, alguém que está propenso a julgar duramente, sem misericórdia, graça ou amor”[2].


 
  • [1] R. C. Sproul, Estudos Bíblicos Expositivos em Mateus, 1a edição., (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2017), 162.

  • [2] John Stott e Douglas Connelly, Lendo o Sermão do Monte com John Stott, Lendo a Bíblia com John Stott, Primeira edição., (Viçosa, MG: Ultimato, 2018), 84.

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