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  • Foto do escritorRev. Luiz Henrique

Jesus, nosso Profeta - Hebreus 1.1-3 [ARA].

1 Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2 nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. 3 Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas.

INTRODUÇÃO

Em meio a um mundo em crise, famílias destruídas, igrejas perdendo a sua essência e a humanidade se perdendo em meio aos modismos, só nos resta uma única esperança: Jesus Cris

Ele, que é o Filho de Deus, a expressão exata do seu ser. Ele, que é o resplendor de Sua glória, que sustenta tudo por meio de sua Palavra poderosa. Ele, que depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas. Ele, que é o Profeta prometido há séculos atrás, é a única esperança profética para a humanidade, pois é a Palavra de Deus, viva e eficaz.

Precisamos deste profeta. Precisamos deste Jesus que é Deus. Precisamos de suas palavras. Precisamos de sua vida. Precisamos deste profeta.

QUEM ERAM OS PROFETAS DO ANTIGO TESTAMENTO?

A palavra “profeta” deriva do grego προφητης prophetes, que quer dizer “pessoa que fala em lugar de outra como intérprete, ou proclamador e também pessoa que prediz o futuro”. Olhando para as Escrituras, especialmente para o Antigo Testamento, temos a definição de “profeta” como alguém que é movido pelo Espírito de Deus e, por isso, seu instrumento ou porta-voz. Alguém que solenemente declara aos homens o que recebeu por inspiração, especialmente aquilo que concerne a eventos futuros, e em particular, a tudo o que se relaciona com a causa e o reino de Deus e a salvação humana.

Os profetas eram homens revestidos de autoridade para falar em nome de Deus. Esses homens eram chamados por Deus e capacitados para se dirigirem ao povo com autoridade e poder para falar em seu Nome, no que diz respeito à Sua vontade e lei.

A Palavra de Deus vinha a eles de vários modos – visões, teofanias, sonhos, voz audível de Deus. A sua missão era confirmada por sinais extraordinários, pelo cumprimento de suas palavras e pelo valor de suas doutrinas, e cuja autoridade Deus mantinha, dando execução de suas ameaças sobre os ímpios e desobedientes.

Assim como haviam profetas chamados por Deus, também existiam os falsos profetas que falavam em nome dos ídolos. Esses profetas eram classificados em dois grupos: (1) aqueles que se diziam possuir dons extraordinários e que eram conhecidos por suas palavras doces e agradáveis <1rs 22.5-28>; e, (2) aqueles que diziam serem profetas apenas pelo dinheiro que ganhavam ao proferirem suas falsas predições .

Enquanto que os sacerdotes, como mediadores, representavam o povo diante de Deus, os profetas, também como mediadores, falavam ao povo da parte de Deus. Eles, por assim dizer, eram porta-vozes e agentes da revelação pelo qual Deus, em vez de falar diretamente do céu à congregação de Israel, colocava suas palavras nos lábios de homens.

POR QUE ELES ERAM NECESSÁRIOS?

Mais uma vez podemos perceber a graça e misericórdia de Deus se manifestando na história da humanidade. O fato de Deus convocar e capacitar alguns homens e pôr em seus lábios as Suas Palavras, além de demonstrar a sua grande misericórdia e graça, também demonstram o declínio e a incapacidade de ouvir a Voz de Deus diretamente.

Quão prejudicial para o homem é ficar sem ouvir a Voz de seu Senhor e Criador. Fomos criados por meio da Palavra poderosa de Deus e somos sustentados pelas mesmas Palavras de misericórdia, graça e bondade dele. Infelizmente, por causa do pecado que cometemos, ficamos incapacitados de estar diante da presença de nosso Criador e Senhor e ouvir suas Palavras; pois, mediante nossa condição deplorável e miserável nos afastamos de Deus.

A miséria do homem estava tão grande que, mesmo diante dos grandes feitos de Deus ao libertar o povo de Israel do Egito e das mãos de seus inimigos, ainda assim eles não tinham condições de estar diante de Deus e ouvir sua Voz diretamente. O próprio povo diz para Moisés ao pé do monte Sinai, dizendo “... Fala-nos tu, e te ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos” (Êx 20.19 ).

É por esta razão, mediante o declínio do homem, que Deus toma a iniciativa e convoca alguns homens, capacitando-os para falar em Seu nome. É por meio dos profetas que Deus concede a sua Palavra. A boa notícia que esta verdade nos dá é que Deus, mediante sua bendita graça e misericórdia, fala ao seu povo. Mesmo diante de nossas iniquidades e maus caminhos o Senhor continua falando e nos chamando para a Sua Santa presença, em arrependimento e fé.

Houve um tempo em que Deus se calou. A desobediência do homem continuou aumentando e a sua maldade foi tomando conta de sua vida de maneira tal que Deus cessou suas Palavras durante quatrocentos anos. Nesse período, o povo esteve à sua própria sorte.

Alguém disse certa vez que “o silêncio de Deus é ensurdecedor”. Diferente do ditado popular que diz quem cala consente”, o silêncio de Deus não significava que estava de acordo ou tolerava o rumo que o homem estava tomando e as suas ações. É por essa razão que Deus rompeu seu silêncio mais uma vez por meio de um profeta que clamava no deserto dizendo:

“... 23Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor...”
26 ...Eu batizo com água; mas, no meio de vós, está quem vós não conheceis, 27o qual vem após mim, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias.
29 No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! 30 É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim. 31 Eu mesmo não o conhecia, mas, a fim de que ele fosse manifestado a Israel, vim, por isso, batizando com água14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. (João 1).

Este “Verbo” anunciado por João Batista é Jesus Cristo. O mesmo profeta prometido por Deus a Moisés e ao povo, que viria mais tarde: “O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás” (Dt 18.15).

Jesus é o Profeta por excelência. Ele não apenas proclama a Palavra de Deus; ele é a Palavra de Deus. O apóstolo João em seu evangelho diz: No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus (João 1.1). Ele não apenas é o sujeito da profecia; ele também é o principal objetivo da profecia.

O autor aos Hebreus se depara com uma igreja recém-formada por cristãos da dispersão, entre judeus e gentios, que estavam sendo influenciados a abandonar este Cristo que havia sido morto na Cruz do Calvário, por uma doutrina que ainda estava sustentada nas leis e rituais do Antigo Testamento. Esta epistola encoraja os leitores a perseverarem e os adverte contra abandonar Cristo.

Jesus Cristo é o tema central desta epistola. O autor escreve falando que Jesus é superior a qualquer anjo, sacerdote ou instituição da antiga aliança; desta forma, cada leitor, em vez de abandonar tão grande salvação, é convocado a agarrar-se pela fé ao verdadeiro descanso encontrado em Cristo e a encorajar outros na Igreja a perseverarem.

O autor começa sua escrita trazendo luz à mente dos Hebreus de que Deus falava no passado, aos pais, por meio dos profetas, eles eram apenas instrumentos de Deus para transmitir a sua mensagem; eles não eram os protagonistas da mensagem e nem a fonte da mesma. Jesus é o centro da mensagem por ser ele a própria mensagem. Os profetas, enquanto instrumentos de Deus, falaram a mensagem da parte de Deus; Jesus, enquanto Filho, é o teor da mensagem de Deus.

Entendendo esta verdade, por que podemos afirmar que Jesus é o nosso Profeta?

i. PORQUE ELE, SENDO FILHO, FALA DIRETAMENTE À NÓS – v.1-2a

a) No passado, Deus falou aos pais por intermédio dos profetas. Falar aos pais diz respeito à liderança do povo;

b) Nestes últimos dias, Deus continua falando, não mais como no passado, mas de uma maneira perfeita e direta. Ele fala pelo seu Filho, Jesus Cristo. Deus agora não fala usando terceiros, ele fala diretamente ao Seu povo por meio de seu Filho, Jesus Cristo;

c) O ponto em questão aqui diz respeito à duas coisas importantes:

1. Deus continua falando – a boa notícia que o homem pode receber além da providência divina quanto à salvação é que Deus continua interessando em se comunicar com sua criação;

2. O único método de Deus falar com seu povo é por meio de Seu Filho, Jesus Cristo – fora disso não é Deus falando.

Por que podemos afirmar que Jesus é o nosso Profeta? Porque esse Jesus fala diretamente a nós, diferente dos antigos profetas que falavam da parte de Deus. No texto encontramos uma segunda razão. Vejamos:

ii. PORQUE, ESSE PROFETA, FALA COM PODER E AUTORIDADE PRÓPRIA E NÃO REPRESENTATIVA COMO OS ANTIGOS PROFETAS – v.2b-3c;

a) Este Jesus não é um profeta como os demais eram. Os antigos profetas falavam da parte de Deus como seus representantes. Jesus, sendo Filho, é o próprio Deus falando, pois tem a mesma autoridade e poder do Ser divino;

b) Ele não fala como aqueles que se pronunciavam em nome de seu Senhor, mas como quem também é dono, pois é o Herdeiro de todas as coisas;

c) Ele não fala em representação da pessoa de Deus, Ele é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser;

d) Ele não apenas fala a vontade de Deus para um povo, chamando-o ao arrependimento e confissão de pecados; Ele é aquele que sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder, onde seus eleitos são preservados do mau e o mundo é restaurado por Sua palavra poderosa;

Por que podemos afirmar que Jesus é o nosso Profeta? Porque esse Jesus fala diretamente a nós e porque esse profeta tem poder e autoridade em suas Palavras que lhe são próprias, diferente dos antigos profetas que falavam da parte de Deus. No texto ainda encontramos uma terceira razão. Vejamos:

iii. PORQUE ESSE É O ÚNICO PROFETA QUE ESTÁ ASSENTADO À DESTRA DE DEUS – v.3c;

a) Embora os profetas do passado tenham cumprido seu papel ao falarem da parte de Deus, a nenhum deles foi dado o direito de se assentar à direita de Deus;

b) Diferente dos profetas do passado, Ele não está morto, mas ressurreto. Não apenas ressurreto, mas elevado. Não apenas elevado, mas glorificado;

c) Nenhum sacerdote no Antigo Testamento se sentou enquanto cumpriam seu dever, pois o trabalho não havia finalizado; assim também a nenhum profeta foi dito que seria exaltado à mais alta posição no céu por cumprir sua missão;

d) Jesus Cristo, depois de ter cumprido sua missão – Que missão? Ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas;

e) Ele fez isso não apenas por cumprir seu papel como profeta e sua missão como sacerdote, mas também porque é o Filho bendito de Deus, o Herdeiro de todas as coisas e o seu Cordeiro;

f) Enquanto os profetas do passado apenas chamavam o povo ao arrependimento e os sacerdotes ofereciam suas ofertas em favor de seus pecados e do povo, Jesus Cristo é a oferta plena de Deus em remissão dos pecados e redenção dos pecadores;

g) Desta maneira também podemos clamar: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas! (Mt 21.9b).

Conclusão

Olhando para esta passagem podemos fazer algumas conclusões importantes para este dia:

a) Por meio de Jesus Cristo, Deus continua falando com o seu povo; mesmo que sua mensagem seja para nos exortar ou abençoar, o fato é que ele continua falando;

b) Por ele ainda falar hoje, é preciso compreender que não existe outro meio tão confiável, infalível e relevante para a igreja do Senhor do que a Palavra de Deus;

c) Jesus é o tema principal das Escrituras, portanto, devemos dar atenção às Suas Palavras;

d) Embora hoje, ele esteja assentado à direita da Majestade de Deus nas alturas, um dia Ele se levantará de Seu trono mais uma vez para buscar a sua igreja e cumprir sua palavra profética que diz: “...quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” (João 14.3 ).

Jesus é o nosso Profeta pelo qual nos mantemos firmes em suas Palavras e promessas pois são verdadeiras e poderosas para a igreja do Senhor e todo aquele que nele cré!

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